As negociações entre os Estados Unidos e o Paquistão parecem estar a decorrer de forma positiva, tendo em conta os resultados que vou observando.
Os Estados Unidos estão a pressionar os israelitas a encetar negociações com o governo libanês, o que constituía uma exigência do Irão.
Por outro lado, a administração de Donald Trump anunciou a intenção de garantir a abertura do estreito de Ormuz. Isto significa que o Irão não deverá bloquear a passagem, uma vez que, no âmbito das negociações, estará pré-acordado o pagamento de indemnizações de guerra.
As principais questões ainda por acertar parecem centrar-se no dossiê nuclear. Ainda assim, está em cima da mesa a possibilidade de os Estados Unidos participarem na construção de uma central nuclear para fins pacíficos, ou, pelo menos, não se oporem a que tal aconteça.
Falta também definir a redução do alcance dos mísseis, o que me parece viável, a entrega do urânio enriquecido à agência das Nações Unidas responsável pela energia atómica, igualmente exequível, e o período durante o qual ficará vedado o desenvolvimento de armas nucleares, algo que, após esta intervenção, dificilmente será possível antes de cinco anos.
Se estas condições forem cumpridas, todos poderão sair a ganhar e o Médio Oriente poderá conhecer um período de maior estabilidade.
Quem perde é Israel, que terá de conter o ímpeto de anexar o sul do Líbano, uma ocupação já tentada no passado e que lhe trouxe vários dissabores, acabando por ser forçado a recuar.
O erro estratégico dos Estados Unidos foi grave. Não conseguiram avaliar a situação de forma holística, centrando-se apenas na vertente militar, sem considerar as consequências globais, incluindo as repercussões internas.
A ideia de retirar o acesso ao petróleo à China, travando assim o seu desenvolvimento industrial, parecia uma solução simples e brilhante. No entanto, tratava-se de uma visão simplista e populista, e, como tantas outras, irrealista.
Os populistas tendem a apresentar soluções fáceis para problemas complexos, mas essas soluções raramente são exequíveis.
Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma










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