Finalmente decidi ir visitar o Museu Nacional da Música, que vários anos e vários governos demoraram para cá ser colocado, devido à persistência do Hélder Sousa e Silva.
Confesso que duvidei que o poder central o tirasse de Lisboa. Ainda bem que me enganei.
O Museu está instalado nas antigas instalações da Escola Prática de Infantaria, onde inúmeros soldados dormiram durante a sua recruta e mesmo como soldados prontos.
Portugal fica sem instalações capazes de mobilizar recursos humanos em caso de necessidade, pois é o país que mais confia na paz kantiana, que é a paz dos cemitérios.
Em termos de restauro do património, foi colocado vinil a imitar madeira no chão, o que é um atentado ao património nacional, algo que nenhum país do mundo permitiria que acontecesse. Só em Portugal se permite fazer isso ou, se calhar, nalgum país como o nosso que não queira saber do património, talvez em países que ainda não tenham tido oportunidade de se desenvolver.
Quanto ao museu em si, as vitrinas são bonitas, bem desenhadas, mas parece uma loja do chinês que tudo tem e que ninguém sabe o que tem. Esta maneira de expor não está de acordo com as curadorias dos museus do século XXI. Está tudo ao monte e fé em Deus.
Gostei das salas interativas, inclusive da única em que, com auscultadores, podíamos ouvir, supostamente, o som de cada instrumento exposto na vitrina, o que não era o caso, porque na maior parte dos lugares por onde passei o som que se ouvia era uma cacofonia de sons.
As boas peças, como os Stradivarius e outras, não se distinguem das demais.
Gostei de ver os dois quadros de José Malhoa, que estavam perdidos e enrolados numa arrecadação do antigo museu, em Lisboa, esquecidos. Já valeu a pena vê-los a brilhar na última sala, antes do vidro que dá para ver a nossa biblioteca.
A luta nacional entre quintas e quintinhas não permite passar do Museu para o Palácio e vice-versa, porque as ligações estão fechadas por portas, em vez de haver alguém nas três ou quatro passagens para verificar se os visitantes possuem um bilhete conjunto.
Gostei da zona da cafetaria. É um espaço agradável e com classe.
No seu conjunto, o Museu Nacional da Música é uma mais-valia para Mafra e está hoje muito mais bem instalado, com muito mais dignidade, do que na estação de metro das Laranjeiras, onde durante anos amontoou um património único sem as condições que a sua importância exigia. A transferência para Mafra dignifica simultaneamente o Museu e o próprio património nacional.
Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma












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