Geral Opinião

A Leste Nada de Novo

As duas guerras mais importantes do momento não têm registado qualquer desenvolvimento substancial.

As duas potências que se defrontaram durante a Guerra Fria estão agora a enfrentar problemas que nunca imaginaram vir a ter quando iniciaram estes conflitos.

Trump não sabe o que significa negociar e Putin nem sequer fala nisso. Pelo menos, é mais honesto. Ambos esperam por uma impossível capitulação do adversário, algo que só conseguirão se derrotarem militarmente o inimigo.

Ou se conseguirem forçar os respetivos povos a obrigarem os seus governos a capitular.

A China continua a exercer a sua influência nos dois conflitos, embora oficialmente proclame que não apoia nenhum dos lados. No entanto, fornece componentes e informações táticas e estratégicas aos dois contendores e tem vindo a movimentar-se no Golfo, procurando boicotar os Acordos de Abraão.

O desgaste do material americano e o fornecimento de sistemas Patriot e de outras capacidades militares dos EUA, além de desgastarem as próprias Forças Armadas norte-americanas e a sua capacidade de resposta, permitem também à China aprender a forma de, eventualmente, as combater. As guerras em curso constituem um autêntico laboratório para Pequim identificar as fragilidades do seu principal adversário.

A China conseguiu antever a guerra de Trump contra o Irão e precaveu-se meses antes. Encheu ao máximo as suas reservas estratégicas de crude e de derivados, reativou centrais a carvão e tem investido fortemente em energias alternativas, das quais a energia nuclear constitui uma parte importante dessa estratégia. Continua igualmente a importar petróleo e gás russos a preços de saldo e, com isso, conseguiu que o preço internacional do petróleo não sofresse alterações de monta, embora tenha registado uma subida moderada.

Por último, está a comprar cada vez mais petróleo em yuans, o que prejudica significativamente os EUA, cuja predominância financeira internacional assenta, em larga medida, no sistema dos petrodólares.

Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma