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Jagozes na Estrada: A Aventura de 26 de abril, uma voltinha rumo à Barquinha

No passado dia 26 de abril, o Grupo Motard Jagozes voltou a fazer aquilo que melhor sabe: transformar um simples domingo numa história para contar. A concentração deu-se no habitual Largo das Ribas, junto à Casa da Fernanda, onde o roncar das motas começou a preencher o ar ainda fresco da manhã.

Desta vez, o passeio teve um sabor especial: um novo membro juntou-se ao grupo, prestes a casar na semana seguinte — e nada melhor do que um dia de estrada para celebrar novos começos.

Antes da partida, um pequeno contratempo mecânico ameaçou atrasar o arranque — mas, como é tradição entre motards, ninguém ficou para trás. Uma intervenção rápida, mãos experientes e espírito de entreajuda garantiram que o grupo seguisse completo, como deve ser.

Primeiros quilómetros: entre curvas, planos e imprevistos

A primeira etapa levou os Jagozes pela estrada velha, evitando autoestradas e privilegiando o prazer da condução. Passaram pelo Gradil, seguiram pela N8 e pela N9-2, cruzando-se várias vezes com os participantes do Rallye das Camélias, que serpenteavam o concelho de Mafra com máquinas de competição e adrenalina no ar.

Mas a aventura gosta de testar quem a vive.
Ao chegar ao Casal de Barbas, a estrada estava cortada pela GNR devido ao rallye. Sem hesitações, o grupo redefiniu a rota: seguiram pela A8 e depois pela A23, rumo ao mítico Castelo de Almourol.

A segunda surpresa do dia: Almourol cercado por bicicletas

À chegada à zona de Constância, a estrada voltou a surpreender. Decorria a 17ª Maratona BTT Almourol à Vista, com ciclistas a cruzar estradas municipais em vários pontos, sempre controlados pela GNR. O acesso ao castelo estava também cortado.

Mas se há coisa que distingue os Jagozes é a capacidade de transformar desvios em descobertas.
Assim, seguiram pela N3, passando por Tancos, numa estrada estreita e belíssima, encaixada entre a linha do comboio e o Rio Tejo, que ali corre largo, calmo e majestoso.

Vila Nova da Barquinha: arte, sombra e tradição

A chegada a Vila Nova da Barquinha coincidiu com o início e fim da Maratona BTT, na Avenida dos Plátanos, junto ao magnífico Parque de Escultura Contemporânea Almourol — sete hectares de arte ao ar livre, onde nomes maiores da escultura portuguesa convivem com o verde e com o Tejo.

O almoço foi na Tasquinha da Adélia, onde o ambiente é tão português quanto a comida. Muitos optaram pelos pratos da Mostra Gastronómica de Peixe do Rio, incluindo a célebre fataça frita com açorda de alho, que fez as delícias de quem aprecia sabores autênticos.

Tarde de calor, arte e música inesperada

Depois do almoço, o calor convidou a um passeio leve pela Avenida dos Plátanos, antes de regressar ao ambiente enigmático do Castelo de Almourol.
Ali, entre muralhas e o espelho do Tejo, o grupo foi surpreendido por um momento quase cinematográfico: Valsas de Johann Strauss ecoavam pelo ar, deixando visitantes e motards igualmente maravilhados.
O som, provinha de uma coluna portátil de um membro do grupo, um gesto arriscado, pois segundo a tradição, poderia haver grande probabilidade de tomar banho de rio. Felizmente, os ânimos foram ecléticos e consensuais com o estilo.

Como manda a tradição, os Jagozes deixaram a sua marca no “marco improvisado” pelos visitantes — um testemunho simbólico da passagem do grupo, transportado na palamenta da moto do Vice-Presidente.

Regresso com sabor a casa

No caminho de volta, houve ainda tempo para uma paragem na Área de Serviço de Rio Maior, onde o grupo recuperou energias com o pão com chouriço e farinheira comprado logo pela manhã, às 8h30, na Celeste Alecrim, na Carvoeira.

Um dia que fica para a história

Entre estradas cortadas, eventos desportivos, mudanças de planos e paisagens inesquecíveis, este passeio foi a prova viva de que a aventura não está no destino — está no caminho, nas pessoas e na forma como cada imprevisto se transforma em mais uma história para contar.

Os Jagozes voltaram a mostrar que, juntos, fazem da estrada um lugar de amizade, liberdade e descoberta.
E que cada domingo pode ser épico, quando vivido sobre duas rodas.

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ericeiraonline

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