Luís de Camões tinha consciência que vivia um tempo especial, um tempo de mudanças e de novos valores, e isso expressa-se na sua obra que se pode caracterizar como fruto de um poeta-filósofo – começou por sublinhar o Prof. Kenneth David Jackson que no começo da tarde de sábado (6 de Junho), no Auditório de Santa Marta, Ericeira, proferiu uma conferência subordinada exatamente ao título “Camões o poeta-filósofo entre a Europa e a Ásia”.
Kenneth David Jackson é norte-americano e professor jubilado da Universidade de Yale, onde lecionava a cátedra de português. Sócio honorário do ICEA e comendador da Ordem de Camões, o Prof. Kenneth David Jackson é um “velho amigo” do Instituto e foi aproveitando mais uma viagem sua a Portugal que se realizou a referida Conferência… obviamente em português.
Toda a poesia de Camões se interroga, quase permanentemente, sobre o Homem e o seu Destino, o que leva Kenneth David Jackson a estabelecer um paralelo entre o poeta português e o dramaturgo inglês Shakespeare no que diz respeito à abordagem filosófica da vida e dos seus acontecimentos (Shakespeare teria 16 anos aquando da morte de Camões).
Com uma vida agitada e aventurosa (“uma vida pelo mundo em pedaços repartida”), Camões passou longos anos no Oriente, nunca tendo deixado de se expressar como um poeta português e europeu, continente onde se desenvolvia o processo social e histórico do Renascimento.
Deste ponto de vista, Camões foi um homem moderno e em várias situações pioneiro, o que leva Kenneth David Jackson a considerar o poeta português como um dos grandes intelectuais do seu tempo.
Na abertura e no fecho da Conferência declamações de poemas vários, sobretudo de Camões, pela Vice-Presidente do ICEA Anabela Almeida.
(Texto de Rogério Bueno de Matos, Associado do ICEA)

















Adicionar comentário