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A Ucrânia do nosso descontentamento

Foto: Pexels

Dois anos de guerra estão quase volvidos, e o conflito não se resolve de maneira nenhuma, embora desde há uns três meses no terreno os russos tenham passado à ofensiva e parecem estar a reconquistar algum terreno em termos táticos, embora em termos operacionais ainda não tenham tido nenhum ganho operacional de relevo, desde que passaram à ofensiva.

Em termos estratégicos a Rússia conseguiu efetuar parcerias estratégicas importantes, para conseguir contornar as sanções internacionais, em todas as estratégias setoriais, incluindo a da defesa, onde a Coreia do Norte e o Irão têm tido um papel muito relevante em termos de fornecimento de drones e munições, em troca de tecnologia nuclear e de mísseis.

Em termos políticos, a Rússia reforçou os laços com os BRICS e com a conferência de Xangai, num bloco liderado pela China.

Em termos estratégicos, a Ucrânia conseguiu apoios para sobreviver, em todas as  estratégias setoriais, e conseguiu efetuar parcerias estratégicas  com todo o Ocidente alargado, quer em termos bilaterais , quer multilaterais com a NATO e com a UE.

Em termos políticos, a Ucrânia conseguiu ser admitida como estado candidato a integrar a UE, algo fundamental para que consiga reerguer-se pós-guerra.

O ocidente alargado liderados pelos EUA em termos estratégicos também já tiveram ganhos territoriais, pois conseguiram alargar a NATO a Norte, e conseguiram não perder todo o território ucraniano, conseguindo alargar as suas fronteiras, pois o que restar da Ucrânia no fim da guerra, integrará a UE e a NATO, ou seja, mesmo que a Ucrânia fique dividida pelo Rio Dnipro, haverá um ganho territorial para o Ocidente.

Em termos políticos, o Ocidente alargado não conseguiu fazer implodir internamente a Rússia, embora a tenha desgastado muito, em termos do vetor militar.

As eleições americanas podem fazer mudar os apoios ocidentais, de qualquer forma já houve ganhos e perdas para os dois lados, ou seja, tanto a Rússia pode considerar que ganhou a guerra como o Ocidente.

Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma

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