No passado sábado, Mafra recebeu um dos nomes históricos da música portuguesa para um concerto onde a proximidade valeu tanto quanto a memória. Carlos Alberto Moniz, com mais de cinco décadas de carreira, subiu ao palco para uma viagem afetiva pelo país, guiada pelas suas próprias canções, verdadeiros mapas sonoros de identidade, mar e pertença.
Num registo intimista, o cantor, compositor e maestro açoriano conduziu o público por diferentes geografias culturais, das ilhas atlânticas ao continente, evocando tradições, poetas e sonoridades que moldaram a sua trajetória artística.
Cada tema foi apresentado como quem partilha histórias à volta de uma mesa, com a serenidade de quem conhece profundamente as raízes que canta.
O mar, imagem recorrente na sua obra, voltou a ser metáfora de viagem e encontro, presente nas palavras, nas melodias e na forma como o artista constrói pontes entre regiões e gerações. Ao longo do espetáculo, ficou clara a dimensão do seu legado: mais de 500 canções, milhares de palcos e uma permanente defesa da cultura portuguesa, em particular da açoriana.
Um dos momentos marcantes da noite foi a presença de Liliana Lima, companheira do artista, que o acompanhou em grande parte do concerto. A cumplicidade entre ambos trouxe ao espetáculo uma delicadeza especial, acrescentando novas cores às interpretações e reforçando o caráter intimista da sessão.
Entre aplausos e silêncios atentos, Mafra assistiu a um concerto onde a música foi meio de transporte e destino em simultâneo, uma celebração serena de percurso, memória e identidade, conduzida por uma das vozes mais respeitadas da música portuguesa.
Fotografias e texto de Carlos Sousa/ KPhoto























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