Lembro-me de ter estado com o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Francesas a jantar numa esplanada em Roma, junto ao Panteão. Não havendo muitas mesas vagas e estando o Senhor General sozinho, convidou-me para me sentar, pois já tínhamos estado juntos em várias reuniões do Pilar Militar da Eurofor.
A conversa, como não podia deixar de ser, versou sobre as Forças Armadas e as novas missões da NATO, e sobre a profissionalização das mesmas, dado que o inimigo, a URSS, se tinha desmoronado.
O General ter-me-á dito que a Rússia estava ferida mas não de morte, pois tinha população, recursos naturais, uma grande extensão territorial e, sobretudo, excelentes universidades e centros de investigação, e que, sendo uma autocracia, rapidamente voltaria a ameaçar a Europa.
Afirmou, por isso, que reduzir o efetivo de França era um erro, e que os políticos em França, ao terem uma meta máxima de 200 000 homens, estavam a fixar um número escassíssimo. Disse mesmo que nunca lhe tinha passado pela cabeça conseguir meter todos num estádio de França e conseguir falar para todos eles sem exceção.
Ontem, na SIC, o programa foi sobre a desmilitarização de França, e que 200 000 homens era algo que tornava a França indefensável.
A História é como o pêndulo de Foucault e, se não mantivermos um efetivo credível e Forças modernas e treinadas, perdemos a escola que é a passagem de conhecimentos intergeracionais, e isso demora anos a criar.
De Portugal recuso-me a falar porque batemos no fundo, e voltar a ter Forças Armadas decentes é muito difícil. Talvez com esta tropa de duas semanas para tirarem a carta de condução a gente ainda se cubra mais de ridículo.
O Passos Coelho, a JSD e alguns da JS a este ridículo nos levaram, mas quem os ouve falar julga que são pais da Pátria.
Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma












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