Casa cheia este sábado à tarde (26 Setembro) no auditório da Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva para verem e (reverem) ” Desconhecido”, filme do realizador italiano Rino Lupo. Entre o numeroso público presente muitos espectadores “jagozes”, netos e bisnetos dos atores do filme, que assim puderam visionar alguns dos seus antepassados.
Rino Lupo foi um realizador italiano dos primórdios do cinema que realizou em Portugal cerca de uma dezena de filmes. Entre eles, “O Desconhecido”, filmado e situado há 100 anos (1926) na Ericeira, com recurso a atores e figurantes locais, com o objectivo de as receitas ajudarem os pobres da então carenciada vila.
Oportunidade para netos e bisnetos desses então atores amadores de há um século verem e descobrirem agora os “rostos vivos” dos alguns dos seus antepassados. Um exercício entusiasmante e até comovente, testemunhado para quem esteve sábado à tarde no “antigo Casino” da Ericeira.
O mérito da iniciativa da projecção do filme cabe ao ICEA, Instituto de Cultura Europeia e Atlântica, nas pessoas principalmente (é justo referir) Pedro Crisóstomo e João Carriço. Aos seus esforços juntou-se a feliz circunstância de a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema ter preservado o filme e o Arquivo Nacional das Imagens em Movimento ter agora restaurado digitalmente a película em 4K com excelente definição. O diretor deste último organismo, Tiago Baptista, esteve, aliás, presente, tendo efectuado a apresentação do filme e prestado diversos esclarecimentos.
Também presente o Vereador da Cultura da Câmara de Mafra, Eduardo da Silva, que enalteceu mais esta iniciativa do ICEA e prometeu a reprojecção do filme em próximas datas em Mafra e na Ericeira.
A estreia ocorreu no Teatro S. Carlos, em Lisboa, a 18 de Abril de 1927, e meses depois, na Ericeira, a 9 de Setembro, foi a vez no então Cinema Ericeirense.
A 9 de Setembro de 1988, promovido pela Liga dos Amigos da Ericeira e com o apoio da Junta de Turismo da Ericeira foi o filme apresentado no Cine-Estúdio da Ericeira.
É um filme mudo e algo ingénuo, feito com os recursos e limitações próprias do cinema nascente de então, que tem o mérito de com ele a Ericeira ter ficado na história dos primórdios do Cinema.
Um filme quase esquecido que o ICEA, com esta iniciativa, trouxe para a ribalta, com uma imagem magnifica e com os movimentos regulares das imagens. Mais uma vez, parabéns ao ICEA!
(texto: Rogério Bueno de Matos)























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