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E se, de repente, os islâmicos saíssem do país, resolvia os nossos problemas?

Jean-Paul Sartre, a propósito da perseguição aos judeus, escreveu em Réflexions sur la question juive que ela foi sempre precedida de uma política de ódio, onde estes foram sempre os culpados de tudo o que acontecia de mal, desde as frustrações pessoais, académicas, de carreira ou outras. Tudo o que de mal acontecia socialmente ou pessoalmente era sempre culpa deles.

Jean-Paul Sartre escreveu um texto interessantíssimo a este propósito, questionando que, se os judeus de repente desaparecessem, se todos os problemas seriam eventualmente resolvidos, pergunta a que, como sabemos, a resposta seria sempre negativa.

Os novos judeus são os imigrantes muçulmanos e a história repete-se agora com essas comunidades, que, desde o 11 de Setembro e com o eclodir do terrorismo islâmico, começaram a ser alvo de campanhas semelhantes, atribuindo-se a eles todos os males do mundo, como se todos os imigrantes islâmicos fossem terroristas.

Esta perseguição e esse estimular do ódio é uma das bandeiras dos países nacionalistas e de extrema-direita na Europa e em Portugal, que, tal como no passado, sempre resultou.

E que seria se eles desaparecessem todos de repente? Será que os nossos problemas, frustrações, invejas passavam?

Claramente que não e, nessa altura, talvez se tivesse de arranjar outras comunidades a quem atacar. Há sempre alguém diferente, os negros, os gordos, enfim.

Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma