Os Estados Africanos, liderados pelo Togo, com o apoio da OUA, iniciaram um movimento para modificar a forma de projeção cartográfica da Terra desenvolvida por Mercator, afirmando que esta sobrevalorizava algumas regiões no planeta, como a Gronelândia, que, sendo relativamente pequena, é representada quase do tamanho do continente africano, e propõem uma nova forma de planificar a Terra.
As perceções e as narrativas fazem parte da geopolítica, pelo que mudar essas perceções é um objetivo geopolítico que não muda a sua essência, pois os territórios não aumentam.
Qualquer forma de projeção cartográfica de um volume esférico tem distorções que, com a IA, poderão ser diminuídas, entrando com fatores matemáticos que as minimizem. Penso que hoje poderá ser mais fácil fazê-lo e, assim, acomodar as pretensões africanas.
A minha opinião é que a cartografia não é neutra na forma como percecionamos o mundo. A utilização de novas projeções pode contribuir para uma perceção mais equilibrada das dimensões territoriais, sem alterar a realidade geográfica. A IA poderá tornar possível encontrar soluções matemáticas cada vez mais eficazes para minimizar as distorções inevitáveis na representação de uma esfera numa superfície plana.
Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma












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