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A TRIBO faz uma pausa para preparar novos caminhos

Depois de 13 anos de criação contínua, o Colectivo A TRIBO suspende os seus grupos, abranda o ritmo e abre espaço para o futuro.

A TRIBO chega aos 13 anos — precisamente a idade em que, simbolicamente, se começa a deixar para trás aquilo que fomos para perceber, ainda sem todas as respostas, quem queremos ser. Uma idade de descoberta, de questionamento e de novas possibilidades. Talvez também por isso esta seja a altura certa para parar. “Há momentos em que sentimos que precisamos de continuar a fazer. E há momentos em que precisamos de parar de fazer para perceber o que queremos fazer a seguir. Depois de 13 anos, sinto que é esse o momento d’A TRIBO”, afirma a fundadora do coletivo, Daniela Simões.

Desde 2013, A TRIBO construiu um percurso assente no teatro, na criação coletiva e na relação com a comunidade. Ao longo destes anos, o coletivo desenvolveu 39 criações originais, acompanhou diferentes gerações de participantes e fez do palco um lugar de encontro, experimentação e crescimento. Esse percurso não desaparece com uma pausa. Pelo contrário, é precisamente o que permite agora olhar para o futuro com mais liberdade. “Não sinto esta pausa como uma despedida. Sinto-a como uma oportunidade. A TRIBO cresceu muito, mudou muito, e eu também mudei. Acho importante dar espaço para percebermos o que queremos ser agora.”, sublinha Daniela Simões.

Em 2026/2027 não vão haver os tradicionais grupos d’A TRIBO. A decisão permite a Daniela Simões interromper temporariamente o ritmo regular de ensaios, criações e atividades para se dedicar à reflexão sobre o futuro do projeto e sobre os caminhos que pode assumir a partir daqui. Uma pausa pode ser também uma forma de criação. É tempo para olhar para o que foi feito, perceber o que continua a fazer sentido, deixar cair o que já não serve e abrir espaço para aquilo que ainda não tem nome. Nas palavras da fundadora d’A TRIBO, “Quando estamos sempre a produzir, há pouco espaço para escutar. E eu quero escutar. Quero perceber, respirando, o teatro que quero fazer nos próximos anos e, com tempo, refletir, orgulhar-me e escrever sobre o teatro que construi durante estes 13 anos.”

A pausa acontece depois de um ano intenso para A TRIBO, marcado por novas criações, diferentes grupos e pelo 13.º aniversário do coletivo, comemorado na Ericeira a 30 e 31 de outubro, com “Ligar/Desligar”, “As Pessoas” e a exposição fotográfica “Amor em cena”, de Emanuelle Vieira. “Esta pausa acontece com trabalho feito, com a sensação de missão cumprida e a curiosidade de descobrir o que vai nascer no próximo capítulo.”, refere Daniela Simões.

Um intervalo, não um ponto final

Ao longo destes 13 anos, A TRIBO construiu-se com muitas pessoas. Intérpretes, criadoras, famílias, técnicos, parcerias e público marcam este projeto que nasceu e cresceu no concelho de Mafra e que encontrou no teatro uma forma de criar comunidade. Daniela Simões considera que “é também a essas pessoas que esta pausa se dirige: como um agradecimento e como um convite para guardar o que foi vivido sem fechar a porta ao que que vai acontecer.”

Daniela Simões partilha: “Há uma coisa que aprendi nestes 13 anos: um projeto artístico não é uma coisa estática. Tem de poder mudar, crescer, às vezes até afastar-se um bocadinho de si próprio para se voltar a encontrar. Acredito que A TRIBO vai regressar diferente. E que essa diferença vai ser boa.” O futuro d’A TRIBO não está, por isso, desenhado. E talvez seja essa a parte mais interessante. Depois de 13 anos a criar, a ensinar, a experimentar e a juntar pessoas, o coletivo entra agora num território menos previsível: o do intervalo, da pergunta e da possibilidade. Sem pressa de anunciar o próximo capítulo. Mas com vontade de o escrever.

Daniela Simões conclui: “A TRIBO faz uma pausa. Para respirar. Para escutar. Para escolher novos caminhos. E, quando voltar a entrar em cena, vai ser com tudo.”