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O sucesso da UE é indesmentível

Acabei de ler um artigo escrito por um analista português sobre o declínio da Europa, que contesto logo pelo título.

Os argumentos normais de ataque à Europa são sempre a necessidade de consenso e o atraso que isso provoca na tomada de decisão; e o segundo é pelo facto de não basear o seu poder no hard power e não ter capacidades credíveis para se afirmar como uma potência.

Relembro que a Europa não é uma federação porque nós não queremos que o seja, embora esteja a caminho de maior integração, que não é necessariamente uma federação, mas uma terceira via que é necessário conceptualizar, diferenciando federação de integração.

A outra crítica é que não tem um exército próprio, mas a sua força reside no somatório das forças ou capacidades nacionais, o que é suficiente para fazer face às suas necessidades de defesa, se algumas capacidades em falta forem supridas. O que é certo é que os novos fundos de defesa são um grande passo para colmatar lacunas, pois começa a haver diversos tipos de verbas a que os Estados podem recorrer, em que algumas são a fundo perdido, no que concerne ao financiamento da base industrial de defesa.

A Europa não pode nem quer ter o mesmo potencial de combate dos EUA, até porque os seus interesses estratégicos, definidos na Bússola Estratégica, são diferentes, bem como as suas áreas de influência.

Termino dizendo que o soft power e o poder normativo têm tido grande atratividade e não faltam Estados candidatos a nela se integrarem, desde a Ucrânia aos Balcãs, à Turquia. A lista é longa.

Há algum império moderno que, sem ser pela força, se consiga alargar por vontade dos próprios Estados?

Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma

Acerca do autor

Nuno Pereira da Silva

Coronel de Infantaria na Reserva

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