O grande vencido da guerra do Irão, até ao momento, parece ter sido Israel, que perdeu em todas as frentes ao não conseguir nenhum objetivo a que se tinha proposto, inclusive o de ter de sair do Líbano, senão quiser que Trump desista da sua parceria estratégica.
Israel, que acusa todos os que não o apoiam de anti-semitas, está a replicar o que os nazis lhe fizeram no passado, tentando também eliminar o povo palestiniano, perdendo a credibilidade que todos os ocidentais lhe davam, bem como a da maior parte do mundo.
O facto de Israel se sentir como a Alemanha e a sua teoria geoestratégica do espaço vital irá a prazo dificultar a sua existência, principalmente se os EUA o abandonarem à sua sorte, o que só não ocorre se os interesses na região forem convergentes, razão pela qual vai ter de obedecer a Trump, pelo menos enquanto não tiver autonomia estratégica.
Esta guerra terá sido um erro crasso, a não ser que consiga o que já estava conseguido no passado, que era o compromisso do Irão não desenvolver armas nucleares.
Os EUA ganharam a guerra militarmente mas, como os portugueses na guerra colonial, não conseguiram conquistar o que queriam: a mudança de regime e a consequente posse do petróleo para tentar que a China tenha problemas energéticos, enquanto esta não se eletrificar completamente.
As vitórias que Trump vai em todo o lado proclamar já existiam, pois antes da guerra o estreito estava aberto e o regime tinha uma Fatwa proibindo o desenvolvimento duma arma nuclear.
Enfim, uma mão cheia de nada, embora a necessidade de voltar à ONU, respetivamente ao Conselho de Segurança, para que ratifique o tratado que irá estabelecer daqui a 60 dias, e o recurso à Agência Internacional de Energia Atómica para verificar o enriquecimento do urânio.
Alguma coisa o mundo ganhou depois dos problemas económicos que ao mundo provocou: o reconhecimento da imprescindibilidade da ONU.
Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma












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