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A TRIBO leva a palco tríptico sobre crescer, desligar e pessoas

Há um fio invisível que liga os próximos três espetáculos do Colectivo A TRIBO. Entre eles, um percurso de crescimento e transformação que convida o público a refletir sobre a vida, o tempo, o individual e o coletivo.

Entre maio e julho, as três criações são apresentadas em Mafra e na Ericeira, formando aquilo que Daniela Simões, mentora do Colectivo A TRIBO, descreve como “um tríptico em que os espetáculos se ligam entre si, mesmo cada um tendo características e reflexões muito particulares a cada um dos grupos.”

O primeiro momento deste percurso é “As mãos nascem fechadas” que estreia no Auditório Municipal Beatriz Costa, em Mafra, a 29 e 30 de maio às 21h30. Um espetáculo que parte da natureza como metáfora de vida. “É sobre florescimento e crescimento, por isso está muito ligado à natureza e a essa fase em que as coisas brotam, a primavera.”, explica Daniela Simões. Num grupo marcado pela diversidade de idades e experiências, a criação encontra um ponto comum: “Todas as pessoas já foram bebés, todas têm mãos e todas têm mãos que são capazes, que transformam o mundo de alguma forma”, sublinha a mentora d’A TRIBO que acrescenta: “Os bebés nascem com as mãos fechadas, como as sementes. E à medida que vamos crescendo, a mão abre. Essa é a nossa metáfora.”

Depois da primavera, o percurso segue para um território mais virtual. “Ligar/Desligar” estreia também no Auditório Municipal Beatriz Costa em Mafra a 13 e 14 de junho às 21h30 e traz a cena o olhar dos adolescentes sobre a relação entre corpo e tecnologia, num tempo em que o digital ocupa cada vez mais espaço. “Passamos treze horas à frente de um ecrã e pensamos que esse tempo nos afasta de nós e das pessoas”, afirma Daniela Simões, na sequência do trabalho desenvolvido com este grupo. “Os nossos corpos já não estão preparados para sentir e mexer e nós acreditamos que o corpo, para estar na vida, tem que estar vivo, tem que dançar.” O espetáculo propõe uma tomada de consciência. “Não é tanto deixar de estar nas redes, mas perceber que é importante encontrar um equilíbrio”, refere e complementa: “a vida tem que acontecer no offline. É importante ligarmo-nos à vida desligando-nos dos ecrãs.”

O ciclo encerra com “As Pessoas” que une dois grupos d’A TRIBO e sobe ao palco da Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva, na Ericeira, a 10 de julho às 21h30, 11 de julho às 17h30 e às 21h30 e 12 de julho às 21h30.  Este espetáculo mergulha na complexidade das relações humanas: “É sobre aquilo que acontece entre as pessoas, as coisas visíveis e invisíveis que nos tocam”, diz Daniela Simões. “O amor, o desamor, as conquistas, os desalentos, o crescimento.” A criação percorre diferentes fases da vida, numa espécie de viagem que começa na infância e se expande para o coletivo. “Acredito mesmo que estamos aqui para nos transformar e para evoluir. Crescer é importante e crescer é bom”, afirma. “E as pessoas são a melhor coisa do mundo para mim.”

Ao longo destes três espetáculos, A TRIBO volta a afirmar o seu lugar no teatro comunitário: um espaço onde o teatro nasce das pessoas e regressa a elas, num movimento de partilha, criação e transformação.

Agenda de Espetáculos

“As mãos nascem fechadas”

Auditório Municipal Beatriz Costa, Mafra

29 de maio (sexta) | 21h30

30 de maio (sábado) | 21h30

“Ligar/Desligar”

Auditório Municipal Beatriz Costa, Mafra

13 de junho (sábado) | 21h30

14 de junho (domingo) | 21h30

“As Pessoas”

Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva, Ericeira

10 de julho (sexta) | 21h30

11 de julho (sábado) | 17h30 e 21h30

12 de julho (domingo) | 21h30