Geral Opinião

A decapitação do grupo Wagner e a Cimeira dos BRICS

Foto: CNN Portugal

Com a decapitação dos líderes da Wagner, a política externa da Rússia em África, que nesse grupo terrorista se baseava e centrava, vai necessariamente continuar, utilizando esse ou outro instrumento do estado russo, nessa política de saque, que se resumia a apoiar as ditaduras africanas a manterem-se no poder, através da imposição do terror sobrepopulações desses territórios, saqueando em troca os seus recursos naturais.

Este instrumento útil de terror usado pela Federação Russa é um regime tão ou mais condenável do que o colonialismo europeu, que terminou com a nossa retirada dos territórios africanos.

A posição russa de Lavrov e dos Brics reunidos na África do Sul condenando o neocolonialismo europeu não passa duma hipocrisia russa para justificar a continuação da sua política impunemente.

Ao contrário da URSS, que, mal ou bem, dependendo da perspetiva, política das pessoas e dos estados, apoiou os movimentos de libertação e posteriormente tentou pacificar os territórios, e investiu muito dinheiro em África, tendo esse investimento sido uma das causas da sua dívida externa, que levou à implosão da mesma, hoje a Rússia nada investe.

A China realmente está, ora a investir em África, tendo nesse papel substituído a URSS, estando também pelo mesmo motivo da URSS a ter um incremento da sua dívida externa, que já é superior a dois biliões de dólares, pelo que prevejo que a curto-prazo tenha que desistir desse seu objetivo imperial que se baseia na estratégia “one road, one belt“, política com que pretende desafiar os EUA e criar uma nova ordem mundial, usando os BRICS como plataforma para o efeito.

Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma

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