Geral Opinião

Resumo das conferências de Munique

Das conferências de Munique deste ano retiro várias ilações, que, no meu entender, são as que vou explanar.

Mark Rubio fez um discurso cortês e diplomático, mas, na sua essência, nada mudou em relação ao de J.D. Vance.

Os britânicos, ao fim de um ano de Trump, perceberam que a relação especial que tinham com os EUA, na prática, nunca resultou em nada, mas, com esta administração, essa esperança morreu. Tentam agora juntar-se à UE, negociando um estatuto igual ao que Cameron tinha conseguido para que o Brexit não se consumasse. O problema agora é que, se não reentrarem, tudo aceitam sem estarem sentados à mesa dos decisores, como é o caso norueguês. Uma situação politicamente vulnerável para o orgulho britânico.

Os europeus da UE estão a procurar, na prática, implementar e desenvolver os procedimentos para que a cláusula de assistência mútua funcione de forma semelhante ao artigo V da NATO.

Os franceses estão a querer estender a proteção do seu arsenal nuclear à UE. Ainda não sabemos o que exigirão em troca, mas é um bom sinal, porque, se se juntar o número das ogivas nucleares francesas às britânicas, a soma é de cerca de seiscentas — muito semelhante ao arsenal nuclear chinês.

A Europa está a procurar fazer o máximo de aquisições de meios militares made in EU.

São passos firmes para garantir a sua autonomia estratégica.

Nuno Pereira da Silva 
Coronel na Reforma