Mudar um paradigma que já tem mais de sessenta anos e que dá muito jeito à Europa e, em particular, a Portugal não é fácil, pois era impensável, até à chegada de Trump e de JD Vance, que a Aliança Atlântica pudesse estar em risco.
Essa incredulidade tem provocado a paralisia dos dirigentes nacionais e da UE, pois esta depende da vontade dos Estados-membros, ou seja, da vontade desses dirigentes, sem rumo.
Para Portugal, essa atitude dos EUA é particularmente importante, pois sempre assumimos o Atlântico como uma prioridade e sempre nos aliámos à potência marítima, por causa da nossa posição geográfica, por causa dos Açores poderem ser considerados essenciais para a defesa dos EUA. Lembramo-nos que, no verão quente do PREC, estes financiaram os movimentos independentistas do arquipélago, e porque é um país distante, longínquo em termos de perceção, e mesmo que fiquemos um protetorado é uma espécie de um primo longínquo, que poderá fazer exigências, mas deixa que o status quo se mantenha, como na Venezuela. Condiciona tudo, mas deixa a ideia de haver alguma autonomia.
A NATO está ferida de morte e a UE vai ter de pensar em aprofundar a sua defesa usando os seus recursos e comandos de forças, que, mesmo inseridos na NATO, são nacionais, porque da NATO é só o SACEUR, e mesmo esse, de acordo com o Berlin Plus, pode ser utilizado pela UE.
A UE já realizou várias operações autónomas seguindo os mesmos procedimentos de geração de forças existentes na NATO, incluindo para os Battlegroups, e usa a mesma doutrina operacional e tática da NATO. Todos os meios da UE são interoperáveis e habituados a trabalhar em conjunto, pelo que trabalhar no âmbito da UE ou da NATO é igual, exceto pela falta das eventuais forças americanas.
A NATO nunca foi uma força, era o garante de que os EUA se empenhariam em caso de necessidade.
É preciso, com urgência, assumir de uma vez por todas as necessidades de algumas aquisições conjuntas, com dinheiro da UE, para adquirir meios comuns para substituir os dos EUA, ou seja, construir um pequeno SACEUR e meios que são necessários para atuar em conjunto, e adquirir alguns equipamentos pelas nações com empréstimos mutualizados, tipo PRR.
Não se parte do zero. Muito está feito, muitas estruturas e meios já existem. É uma questão de querer e de estabelecer prioridades.
Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma












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