O problema do equilíbrio de poderes que se está novamente a estabelecer como nova Ordem é que provoca instabilidade quando algum pensa que tem dominância e que quer subjugar os outros por partes, para ter o domínio, em jogadas calculadas de risco, numa época em que o nuclear não foi desinventado, como foi o caso do século XIX e início do século XX, que terminou na I Guerra Mundial.
O outro problema está relacionado com a inoperância das instituições multilaterais deixarem de ter importância e um pequeno país como o nosso tornar-se completamente irrelevante no concerto das nações.
A incultura política da atual administração brinca com o fogo e estabelece relações diplomáticas usando amadores, algo que já deu problemas que levaram à I GM, porque eram incapazes de perceber e transmitir as mensagens corretamente. Não podemos esquecer que estes eram, na sua maioria, aristocratas impreparados e, com a administração Trump, são parceiros de negócios do Presidente.
É no conhecimento pessoal que se estabelece entre delegações diplomáticas e governantes que se consegue fazer passar a mensagem corretamente, sem interpostas pessoas, e se dirimem conflitos ou se os previnem, pois nada substitui estas instituições. O caminho das esferas de influência, à semelhança do que aconteceu no século XIX e XX, conduziu aos desastres mundiais que conhecemos da História, para quem a conhece e lê.
O equilíbrio de poderes funciona enquanto há equilíbrio estratégico em todas as formas em que o poder assenta de uma forma integrada. Exige um esforço permanente e uma corrida tecnológica desenfreada, em que os cidadãos são completamente postos de parte, pois estes pouco interessam do ponto de vista do bem-estar, já que o progresso só trabalha em prol da segurança e da defesa. Sempre que há um desequilíbrio ou uma perceção do mesmo, uma das potências vai desafiá-lo, ou mais, para ganhar a posição dominante ou a supremacia.
O realismo, a doutrina que informa as potências, é por sua natureza caótica e só entende as relações de poder como fator determinante, em que os países na sua área de influência têm de ter relações de acomodação puras, não de cooperação.
A competição estratégica e a pressão pela supremacia passam a ser os grandes desafios das potências, em detrimento da ética e do direito, pois só o direito da força é reconhecido.
Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma












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