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Conferências do ICEA: O que é o Turismo Regenerativo?

Ericeira, sábado 17 de Outubro: auditório de St. Marta cheio para ouvir os Professores (ambos geógrafos) Ana Ramos Pereira e Luís Gonçalves Mendes falar sobre “Urbanização e Desafios Futuros das Cidades e Vilas Costeiras”. Um tema com especial interesse para os ericeirenses…

Comecemos pelo segundo orador: numa intervenção bem fundamentada (ver www.icea.pt), o professor Luís Mendes falou de turistificação, turismo de massas e pós-turismo, etc., para terminar com uma nota de optimismo ao desenvolver o conceito – e ao defender a prática – do Turismo Regenerativo. O que é, então, o Turismo Regenerativo?

É, muito simplesmente, “deixar um destino melhor do que o encontrou”, focando-se “na regeneração de ecossistemas e comunidades e não apenas em minimizar os impactos negativos”. 

“Vai além – sublinhou o Prof. Luís Mendes – do Turismo Sustentável, ao buscar a melhoria ativa dos ambientes e do bem estar social, cultural e económico dos locais visitados”.

Entre os princípios fundamentais, destaque-se:
Deixar um lugar melhor – que o local de destino seja positivamente impactado pela visita, regenerando o ecossistema e fortalecendo a comunidade;
Foco no todo – que as ações promovam a regeneração não só do ambiente, mas também do tecido social, cultural e económico, buscando beneficiar todas as partes envolvidas;
Ir além da sustentabilidade – enquanto a sustentabilidade se concentra em não causar danos, o Turismo Regenerativo procurar ativamente reparar e revitalizar os sistemas naturais e sociais;
Envolvimento consciente do turista – Os visitantes devem ser incentivados a serem mais conscientes e participativos, contribuindo activamente para o bem-estar do destino;
Métricas de bem-estar – o sucesso é medido por indicadores de qualidade de vida, como a saúde das comunidades, a afirmação de identidades locais ou a regeneração ambiental em vez de métricas meramente económicas;

Como praticar o Turismo Regenerativo:
Pesquise e planeie com consciência: procure operadores turísticos e serviços que tenham um impacto positivo nos destinos;
Conecte-se com a comunidade: interaja com os residentes, participe nas atividades culturais e apoie os negócios locais;
Participe em projectos de regeneração: engaje-se em atividades concretas, como plantar corais, reflorestar ou ajudar em projetos de conservação;

Seja um viajante respeitoso: mantenha práticas sustentáveis básicas, como não deitar lixo fora dos recipientes, evitar descartáveis e mostra-se curioso e aberto a aprender sobre o local (para desenvolvimentos sobre Turismo, Turistificação e temas relacionados ver também www://vimeo.com/206122090).

Terreiro do Paço submerso (?)
A primeira oradora foi a Prof. Ana Ramos Pereira (antiga Presidente do ICEA) que traçou um quadro científico rigoroso sobre os desafios que se colocam às cidades costeiras com a subida relativa do nível do mar (ver exposição integral www.icea.pt).

Lembrando que cerca de 40% população mundial vive hoje a menos de 100km da costa, a Prof. Ana Ramos Pereira revelou que a subida relativa do nível global do mar (variação centenária), entre 2001 e 2010, foi de cerca de 2,9 mm/ano, acelerando para 4,5 mm/ano entre 2011 e 2020 (Copernicus Mar. Serv.). Em Portugal, entre 2005 e 2016 subiu 41 cm (C. Antunes).

A subida relativa do nível do mar é causada pelo aumento da temperatura global, que leva à fusão das calotas polares e dos glaciares, além da expansão térmica oceânica (1,38 mil milhões de km3, 97% da água terrestre). As projeções futuras indicam que a subida do nível do mar em Portugal continuará, com potenciais impactos significativos em áreas costeiras e infraestruturas, como o Terreiro do Paço em Lisboa, que poderá ficar submerso (se nada se fizer – fonte: SIC Notícias).

As consequências são inundações frequentes e extremas, erosão costeira de praias e arribas e perdas humanas e económicas como meios de subsistência, segurança alimentar, património cultural, direitos humanos e estabilidade económica. 

As Nações Unidas alertam que, sem medidas urgentes de adaptação, até 1,2 mil milhões de pessoas poderão ser deslocadas até 2050.

Atualmente, cerca de 770 milhões de pessoas, o equivalente a uma em cada dez habitantes do planeta, vivem em zonas costeiras situadas a menos de cinco metros acima da linha da maré alta, encontrando-se já expostas a riscos significativos.

Depois de nomear situações sensíveis a nível mundial e medidas adotadas, a Prof. Ana Ramos Pereira ficou-se nas principais situações em Portugal:

  • Aveiro: Sistema de barreira e áreas urbanas adjacentes de baixa altitude correm sérios riscos de perda de território.
  • Faro e Olhão: A região do sistema de barreira da Formosa com alta vulnerabilidade devido à pouca altitude face à linha da água.
  • Figueira da Foz: Apresenta risco significativo de erosão e submersão costeira nas próximas décadas.
  • Estuários do Tejo e do Sado: Margens e zonas ribeirinhas densamente povoadas ou de valor ecológico estão altamente expostas.
  • Peniche: O avanço do mar ameaça zonas específicas da península e praias da região.

(selecção e texto Rogério Bueno de Matos)