Houve tudo no jogo desta tarde entre Ericeirense e Sacavenense: intensidade, incerteza no marcador, nervos à flor da pele e um final envolto em polémica que acabou por marcar mais do que o próprio resultado.
O Ericeirense, atualmente no 12.º lugar da tabela, entrou sem complexos frente ao segundo classificado. A equipa da casa mostrou personalidade desde o apito inicial e adiantou-se cedo no marcador por intermédio de Semedo, premiando uma primeira parte de grande nível.
O Sacavenense reagiu e chegou ao empate, mas os homens da Ericeira não acusaram o golpe, mantiveram a pressão e voltaram à vantagem com um golo de Chiquinho na conversão de uma grande penalidade, levando justiça ao intervalo pelo que produziram.
A segunda parte trouxe outro cenário: mais disputa física, menos espaço e muitos nervos. O jogo tornou-se mais tático e combativo, até que o espetáculo se descontrolou após a expulsão de um jogador do Sacavenense.
Seguiu-se um clima de grande confusão. Alegadamente, o atleta expulso terá cuspido na direção de um adepto e, também alegadamente, terá sido alvo de insultos racistas. Entre empurrões, ameaças e tentativas de agressão, a GNR entrou em campo para tentar repor a ordem.
Perante o cenário, o árbitro cruzou os braços no ar, ativando o Protocolo de Racismo, num momento que ensombrou a partida.
Após o tumulto, o Ericeirense acabaria por ver dois jogadores expulsos, ficando reduzido a nove unidades.
Em inferioridade numérica, a equipa da casa resistiu como pôde, limitando-se a cortar linhas de passe e a aliviar bolas perante a pressão crescente dos visitantes. A entrega foi total, mas num lance fortuito o Sacavenense chegou ao empate, resultado que acabou por selar a partida e deixar um travo amargo para os Guerreiros do Mar, que discutiram o jogo em pé de igualdade frente a um adversário da zona cimeira da tabela.
No final, ficou a sensação de que o futebol perdeu espaço para algo maior e mais preocupante. A propósito do racismo no desporto, Pep Guardiola afirmou recentemente que enquanto as pessoas continuarem a pensar que o racismo é apenas uma questão de cor de pele, nada se resolverá. Uma reflexão que ultrapassa este jogo e que merece eco dentro e fora das quatro linhas.
Na Ericeira, o empate vale um ponto. Mas as imagens e os acontecimentos da tarde deixam matéria para muito mais do que análise desportiva.
Fotografias e texto de Carlos Sousa/ KPhoto




















































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