Geral Opinião

A UE está prestes a alcançar a uma autonomia comercial estratégica

A UE está apressadamente a fechar os acordos de livre comércio com a Índia e a Austrália, que, embora já adiantados, ainda tinham algum caminho para andar em termos de apreciação do Parlamento Europeu.

O acordo com a ASEAN, as Filipinas e a Tailândia estão também iniciados e há pressa em negociar os mesmos rapidamente.

Esta azáfama, após a assinatura com o Mercosul, e com o aprofundamento das relações com o Japão, com quem já tinha feito um tratado em 2019, bem como com a Coreia do Sul, são a resposta certa às tarifas de Trump, e assim diversificar os seus mercados, isolando-se do mercado americano.

A UE responde assim de uma forma inteligente ao chantagismo de Trump, e recupera uma ideia de Obama que ia no mesmo sentido.

Trump poderá ficar a falar sozinho na sua política de tarifas, e poderá dessa forma recordar que, de acordo com dados recentes do Tesouro dos EUA, o total de títulos do Tesouro americano detidos por estrangeiros ronda cerca de 10 triliões de dólares, dos quais aproximadamente 3 triliões correspondem a países da União Europeia e ao Reino Unido, um fator que, em cenários extremos, pode ter impacto sério na estabilidade financeira americana, conforme se comenta nos corredores de Bruxelas, nomeadamente no contexto de uma eventual escalada geopolítica envolvendo a Gronelândia.

Esta estratégia comercial torna a curto-prazo a UE autonoma quer em relação aos EUA quer à China.

Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma