A reunião de emergência do Conselho da UE foi relevante porque se falou da possibilidade de se ativar o novo mecanismo anti-coerção da UE, que tinha sido pensado para fazer face aos tradicionais adversários e nunca contra o seu maior aliado.
Este novo mecanismo é um mecanismo progressivo de medidas de retaliação económica, depois de esgotadas outras opções, como as da OMC, ou como resposta ao aumento das tarifas com que Trump ameaça alguns países da UE, e que, se as efetivar, poderá contar com uma resposta económica estruturada e já aprovada juridicamente através do novo Instrumento Anti-Coerção (ACI) da União. Só o facto de a UE, com esta reunião de hoje, ter falado na hipótese de ativar o ACI, já é, em termos paritários, uma resposta à ameaça de sanções.
Os EUA poderão, pela primeira vez, ter de repensar e de negociar, para que não haja descrédito de nenhuma das partes, ou seja, é um sinal de que têm de se fazer negociações.
Isto é algo inédito entre aliados, e Trump poderá ter de recuar, pois, se não o fizer, a guerra das sanções será proporcional e não é benéfica para nenhuma das partes; é uma guerra híbrida inédita do ponto de vista comercial.
Se esta coerção avançar, haverá consequências para a NATO, que pode ver quebrado o elo transatlântico e obrigar a UE a desenvolver uma defesa independente da organização.
Esta guerra comercial híbrida reflete o período de transição em que estamos a viver, em que Trump, sob pressões internas e externas, testa a hegemonia americana, não percebendo que esta ainda existe sobretudo na vertente militar, mas que, a longo prazo, também essa tenderá a esbater-se.
Nota importante: este mecanismo para ser ativado não necessita de consenso, basta uma maioria qualificada que parece existir.
Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma












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