O facto de se ter acabado abruptamente com os governos civis, sem que nenhuma estrutura a nível político regional tivesse assumido esse papel, é uma das causas desta desorganização na gestão de crises, como as que estamos a atravessar.
Os militares estão subordinados ao poder político. Quando fui comandante, os incêndios no Algarve eram coordenados por essa estrutura, na qual eu participava e contribuía a nível local com os meios disponíveis. Algumas vezes, essas reuniões eram presididas pelo Secretário de Estado da Administração Interna.
Tudo se resolvia. Os militares aceitam coordenação política, mas não a coordenação de uma qualquer unidade administrativa.
Foi uma reforma apressada e mal feita. Há uma total ausência de poder a nível regional, obrigando o Governo central a desdobrar-se e, ainda assim, a não conseguir gerir eficazmente qualquer crise ou catástrofe.
Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma












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