Geral • Opinião

Israel num impasse eleitoral

Seja qual for o resultado final das eleições em Israel, nenhum dos dois blocos em disputa terá 61 deputados no Knesset. Ambos ficarão com cerca de 50 lugares, e os partidos árabes israelitas terão cerca de 18 lugares.

Nenhum dos blocos quer integrar os partidos árabes na governação, nem estes querem, pois não querem ter de ser coniventes com as atuações de Israel nas guerras e nos crimes de guerra contra o seu povo nos territórios ocupados.

Se não se conseguirem acordos parlamentares com esses partidos árabes, Israel terá de repetir eleições em meados de janeiro do próximo ano. Até lá, o governo atual continuará em gestão.

Os árabes israelitas já disseram que nunca apoiarão Netanyahu, o que parece indicar que o bloco da oposição chegará mais facilmente ao poder, agora ou noutras eleições que venham a acontecer.

Em conclusão, formar partidos cuja identidade se baseia em grupos étnicos e não ideológicos é um erro, pois as etnias são contra a constituição de um Estado moderno baseado no contrato social, como definido por Rousseau, um dos pais do Estado moderno. Os partidos devem ter por bases ideologias.

A conclusão mais importante é que Trump, apesar de ter interferido diretamente, apoiando Netanyahu, acabou por perder este ato eleitoral.

Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma