Geral Opinião

Trump o anti diplomata

A diplomacia feita através de redes sociais, ao mesmo tempo que decorrem negociações, não é uma forma de se conseguir chegar a um acordo entre as partes.

Trump e o Irão vão trocando posts, os dois afirmando que estão a ganhar, quando não é isso que realmente se passa. Se alguém está a ganhar, infelizmente é o Irão, porque tem capacidade de resistir e de ripostar contra os interesses americanos no golfo e contra as suas bases na região, tendo conseguido que muitas dessas bases tivessem de dar férias aos seus militares para se hospedarem em hotéis, que passaram a ser alvos legítimos das contra-respostas do Irão.

Os iranianos aprenderam com a guerra na Ucrânia a usar os seus drones e os americanos não estavam preparados para se defender deles. Os drones são um fator novo e disruptivo que é necessário combater, mudar táticas e mudar capacidades. Coisa que os EUA não fizeram.

Se Trump continuar a não perceber que só a diplomacia séria pode resolver este conflito, a derrota dos EUA será clamorosa.

Mertz tem razão em dizer que Trump perdeu a guerra, por isso Trump decidiu castigar a UE com taxas sobre a indústria automóvel europeia para punir a ousadia de este ter dito a verdade, e simultaneamente ameaça retirar soldados americanos da Alemanha.

A sobranceria de Trump irá levar ao fim dos EUA. Fazer guerras e dirimir conflitos, bem como não saber o que é a diplomacia, vai levar ao ridículo dos EUA e à sua descredibilização.

A diplomacia exige paciência e um acordo complexo não se consegue em semanas. A proposta do Irão é um MoU para se continuarem negociações sérias. Se Trump e os comentadores pró-EUA não percebem isto, este conflito não terá fim, e a economia mundial terá um revés com consequências superiores às de 2008, talvez mais parecidas com a Grande Depressão que ocorreu nos EUA.

Nuno Pereira da Silva

Coronel na Reforma