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Ataque preemptivo sobre o Irão foi um erro estratégico

Foto: Rfi

O ataque preemptivo ao Irão, com o objetivo de impedir o desenvolvimento de armas nucleares, não tem justificação sólida. Existia, inclusive, uma posição oficial contrária ao desenvolvimento dessas armas. O que o Irão procurava era, sobretudo, manter a capacidade potencial de as desenvolver, caso viesse a ser atacado.

A identidade de um povo constrói-se muitas vezes em oposição a um inimigo. Isso não significa necessariamente intenção de atacar, mas sim a necessidade de afirmação e coesão interna.

Tenho pouca confiança na posse de armas nucleares por lideranças instáveis. Esse é um risco real e perigoso, sobretudo em cenários de perda de influência ou pressão externa crescente.

Se o Irão for atacado, poderá sempre responder de forma assimétrica, nomeadamente através do uso de dispositivos radiológicos, para os quais dispõe de recursos.

Em termos estratégicos, um ataque desta natureza pode provocar exatamente o efeito contrário ao pretendido: acelerar decisões, radicalizar posições e aumentar o risco de escalada.

Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma