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Eurodeputado Hélder Sousa Silva em missão na Argentina para analisar a entrada do acordo UE-Mercosul

O eurodeputado Hélder Sousa Silva integrou, esta semana, a missão do Parlamento Europeu à Argentina, para avaliar a situação do país com a entrada do acordo comercial UE-Mercosul.  No decorrer da visita, a delegação reafirmou as vantagens e o potencial do acordo, que iniciará provisoriamente daqui a precisamente um mês (1 de maio).

Na qualidade de membro da Delegação para as Relações com o Mercosul (DMER), Hélder Sousa Silva e outros 10 eurodeputados reuniram-se em Buenos Aires, com membros do governo argentino, nomeadamente o ministro dos Negócios Estrangeiros,
o secretário da Segurança, e da Câmara dos Deputados; com representantes dos parceiros sociais, do meio académico e da sociedade civil. Em Salta, os eurodeputados reuniram também com as autoridades regionais e locais e visitaram duas empresas europeias ativas no setor energético, nomeadamente na exploração de lítio. No âmbito da missão, realizaram ainda uma visita de campo a um projeto financiado por fundos da União Europeia.

Recorde-se que a Argentina e o Uruguai foram os primeiros países a ratificar o Acordo de Comércio Internacional (iTA), no passado mês de março. Na avaliação da missão, Hélder Sousa Silva afirmou que os argentinos estão entusiasmados com o acordo, que consideram ter “inúmeros benefícios, incluindo um grande impulso às exportações de bens e serviços e de condições mais favoráveis à internacionalização das empresas argentinas”.

A Argentina assumirá ainda um papel crucial no setor das matérias-primas críticas, pois é um dos países que possui minerais muito importantes para as tecnologias verdes e digitais, para as quais a UE redirecionou os seus programas de investimento, e sobre os
quais não haverá impostos na exportação. Ora, não sendo autossuficiente em matérias-primas, a União Europeia conseguirá garantir o seu aprovisionamento, uma vez que países do Mercosul, como a Argentina e o Brasil, são grandes produtores de muitos destes materiais, e de forma segura e sustentável. Os argentinos acreditam que o acordo “melhorará o acesso a matérias-primas industriais e abrirá novas perspetivas para as exportações neste setor”, explica Hélder Sousa Silva.

O eurodeputado português reafirma que esta “é uma janela de oportunidades para as economias de ambos os blocos e uma forma de fortalecer as relações comerciais, criar empregos e promover desenvolvimento sustentável entre a Europa e a América Latina”.
Porém, deixa mais uma vez o alerta: “Num mundo cada vez mais em sobressalto, é importante que todos se comprometam neste momento em cumprir rigorosamente o acordo, que fortalece a autonomia estratégica da União Europeia, excessivamente dependente da China e das incertezas dos Estados Unidos. Esta é também uma oportunidade única para nos comprometermos em reforçar os laços políticos, económicos e culturais entre a UE e os países do Mercosul”, afirmou o eurodeputado eleito pelo PSD.

Recorde-se que o acordo comercial entre a UE e o Mercosul criará a maior área de comércio livre do mundo, cobrindo um mercado potencial de 700 milhões de consumidores. Mas esta é apenas a parte comercial do acordo UE-Mercosul, que é bem mais extenso e grandioso. Para que o acordo comercial avançasse rapidamente, a Comissão Europeia dividiu o texto em duas partes: uma componente comercial, que passou diretamente pelo Conselho e pelo Parlamento Europeu; e uma segunda componente, o Acordo de Parceria UE-Mercosul, que vai ser submetida aos 27 parlamentos nacionais. Desta forma, a parte comercial entrará em vigor mais rapidamente, enquanto a parte completa prevê-se que demore vários anos, até que todos os Estados-membros ratifiquem o acordo.