Geral Opinião

A UE nunca teve, na prática a intenção de fazer um exército

Kaja Kallas veio esta semana dizer uma verdade de La Palisse: a União Europeia não tem intenção de criar um Exército Europeu, algo que nunca esteve verdadeiramente em discussão, a não ser na cabeça de alguns teóricos do federalismo.

A União Europeia tem vindo a desenvolver uma capacidade autónoma de atuação, em estreita articulação com a NATO, baseada na cooperação entre os exércitos nacionais, e já tem atuado em vários teatros operacionais, à semelhança da NATO, embora sobretudo no âmbito das operações de paz.

Para atuar em cenários de maior intensidade, o modelo a seguir terá necessariamente de ser o mesmo, que, no fim de contas, é muito semelhante à forma de atuação da NATO.

Caso a NATO se venha a transformar em algo diferente, eventualmente sem os Estados Unidos, será importante que os europeus utilizem algumas das estruturas de comando da própria Aliança, até porque essas estruturas não dispõem de forças próprias, funcionando com forças atribuídas (assigned forces), sendo os comandos das forças terrestres na Europa assegurados pelas framework nations. Assim, o segundo nível de comando é NATO, mas de natureza exclusivamente europeia.

Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma

Acerca do autor

Nuno Pereira da Silva

Coronel de Infantaria na Reserva

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