Na II Guerra Mundial, Salazar, sabendo das pretensões dos Aliados pela posse do arquipélago dos Açores, não se intimidou e enviou um contingente de militares para o território, à semelhança do que está a fazer o governo da Dinamarca e de alguns países europeus. É exatamente essa a atitude que se tem de ter perante uma ameaça: garantir que o território não está abandonado e que, como tal, não constitui nenhum perigo para a segurança dos EUA. Como sabemos, a estratégia é inimiga do vazio, e não pode haver vazios de poder, sob nenhuma das suas formas, desde a militar à política, passando pela económica.
Este assunto é relevante para o nosso planeamento de Forças Nacional, que tem de colocar no território uma força credível, algo que me apraz muito verificar no novo Planeamento de Forças ou de Capacidades Militares, pois está previsto colocar unidades credíveis e móveis nos arquipélagos.
Dos meios militares que o Exército vai adquirir, é com alguma satisfação que vejo que a maioria do material é de fabrico europeu, sendo que parte dele será fabricado em Portugal. Destaca-se ainda a robotização dos M113, conforme projeto desenvolvido no IST, bem como o reforço da capacidade em Operações Especiais, para fazer face a uma guerra híbrida.
Também é interessante verificar que, finalmente, o Exército vai ter helicópteros, que serão os Black Hawk, dos EUA, destinados a uso dual. Enfim, era uma ambição antiga que parece estar prestes a concretizar-se, com todas as vantagens e inconvenientes dessa opção, numa altura em que os drones conseguem efetuar reconhecimento aéreo e garantir apoio aéreo próximo, podendo ser armados com armamento semelhante ao desses helicópteros.
Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma












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