Geral Opinião

A tecnologia fará com que as Forças Armadas atuais se tornem obsoletas num período de dois anos

O desenvolvimento de novas capacidades militares, com o atual crescimento exponencial das tecnologias, é um grande desafio para as Forças Armadas de todo o mundo, pois correm o risco de que os seus sistemas de armas se tornem obsoletos quase no momento da sua aquisição.

Se há cerca de 20 anos se começaram a desenvolver os drones, sobretudo os UAV, hoje são estes — bem como os sistemas terrestres e navais não tripulados — os verdadeiros reis do campo de batalha, autênticos game changers.

Venho desta forma ajudar à reflexão sobre as futuras aquisições de sistemas de armas que contribuirão significativamente para as futuras capacidades militares, em que a tendência será a da quase completa robotização das Forças Armadas, provavelmente através de sistemas de armas não cinéticos, como os lasers, conjugados com capacidades espaciais cada vez mais determinantes para o seu guiamento, sendo necessária uma supremacia espacial para garantir a sua eficácia.

Esta nova crónica surge a propósito de a China dispor atualmente de cerca de 10 000 humanoides utilizados no controlo das suas fronteiras, que provavelmente poderão, mais cedo do que tarde, substituir a função dos atuais soldados no próprio combate. Para além disso, de acordo com as informações de que disponho, a China estará em fase experimental, prestes a dominar a tecnologia da fusão nuclear. Ambas estas tecnologias alterarão profundamente os conceitos de dissuasão, quer em termos clássicos, quer em termos nucleares.

A dissuasão será um fator permanente de pressão estratégica, pois a conjugação do domínio espacial e do ciberespaço, bem como novas formas de energia, poderá contribuir para que as novas máquinas disponham de energia para se alimentarem indefinidamente, sem esquecer que todo o arsenal nuclear poderá tornar-se obsoleto, tal como grande parte das capacidades que atualmente existem nas Forças Armadas. Os ciclos de planeamento e aquisição de forças tornam-se, assim, muito mais curtos, quase imediatos.

Nuno Pereira da Silva
Coronel na Reforma

Acerca do autor

Nuno Pereira da Silva

Coronel de Infantaria na Reserva

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